sábado, 8 de agosto de 2009

Carrinho de Brinquedo

Era noite de Natal. O menino esperou o ano todo por aquele dia. Ganharia o melhor presente de todos. Mostraria para os amigos e se gabaria. O carrinho de brinquedo mais moderno daquela época.
Era uma criança. Passava todos os dias brincando. Prometera a si mesmo que nunca se desvencilharia do carrinho, e, simbologicamente, que nunca abandonaria a infância. Mas não há controle para o tempo. Assim como o tempo de brincadeiras tornava o dia mais rápido, tornava também as semanas, os meses, os anos. E o menino foi crescendo.
As brincadeiras foram se tornando menos frequentes, e enfim, cessaram-se. O menino se tornou jovem e adulto. Esquecera-se da promessa que fizera junto ao carrinho.
Enfim, o menino, agora homem, cansou-se de sua vida. Trabalho, família, mais trabalho. Depois de reclamar e sofrer, lembrou-se daquela promessa. "Ah, se pudesse cumprí-la. Hoje não reclamaria."
Um dia, seu filho passou correndo com algo nas mãos, mas ele não pode ver o que era. Ao chegar ao lugar onde seu filho estava, ele se surpreendeu. "Pai, pai, olha o carrinho que encontrei quando estava ajudando a arrumar as coisas com mamãe!" Era aquele carrinho. Ele nem lembrava que ainda o guardava. "Não é muito novo, mas é melhor que os que tenho!" E uma lágrima caiu dos olhos do menino. Do menino adulto. Sentiu-se revigorado. E prometeu que nunca se desvencilharia daquele momento, e, simbologicamente, da sua eterna infância.

Ricardo Busquet

2 comentários:

Marlon Eduardo Faria disse...

Muito bom o texto..
Ele é seu? Se sim parabéns.!
Cara, seu blog tah muito legal.

Mel. disse...

Ah, muito bonito, moço!
Desistiu do antigo layout?
o/